O grande desafio agora é o povo, mormente o Conservador, deixar de comemorar pesquisas que colocam Flávio na liderança e demonizar pesquisas favoráveis a Lula. Pesquisa não é voto e SEMPRE irá atender os interesses de quem a contratou.
Olhando para a realidade de hoje e lembrando o que aconteceu em 2022, uma coisa parece ter mudado nas pesquisas eleitorais brasileiras.
Não, não acredito que os institutos tenham descoberto, de repente, o caminho da verdade. Muito menos que tenham feito uma profunda autocrítica sobre os erros do passado.
O que provavelmente descobriram é algo bem mais simples: 2026 não é 2022. E o eleitor brasileiro também não é mais exatamente o mesmo.
Hoje, ele desconfia. Questiona. Compara. E, principalmente, já não engole pesquisa com a facilidade de antes.
A manipulação só funciona quando aquele que recebe a informação aceita tudo resignadamente.
Em 2022, tivemos pesquisas, manchetes e comentaristas ajudando a construir uma espécie de realidade paralela. A eleição parecia decidida antes mesmo de começar.
Até que chegaram as urnas. E a realidade mostrou que a fotografia apresentada por muitos institutos estava bastante distante do filme.
Mas, a essa altura, o trabalho já estava feito.
Pesquisa pode errar. Evidentemente que pode. Existe margem de erro, metodologia, amostragem e existe, acima de tudo, o eleitor — que pode mudar de opinião.
O problema começa quando o erro deixa de parecer simplesmente um erro e passa a alimentar uma narrativa que já estava pronta antes mesmo de a pesquisa ser divulgada.
Durante muito tempo, o roteiro pareceu bastante simples: a pesquisa produzia o número, a imprensa reproduzia o número e o comentarista explicava ao eleitor o que aquele número supostamente significava.
E o cidadão recebia a mensagem pronta:
“Não adianta. Já está decidido.”
Pois bem. Não estava.
Agora, em 2026, Flávio aparece na dianteira, ainda que por poucos pontos. Ao mesmo tempo, levantamentos internos de partidos apontariam vantagens que, em determinados casos, chegariam a nove pontos.
Pesquisa interna de partido não é escritura sagrada. Também pode errar. Também pode carregar interesses.
Mas a diferença merece atenção.
E fica a pergunta que talvez incomode um pouco:
Será que os institutos estão apenas retratando uma disputa apertada ou estão tomando cuidado para não repetir o vexame de 2022?
Não estou afirmando que exista manipulação. Estou lembrando do histórico.
E quem conhece a história sabe que ignorá-la costuma ser uma péssima ideia.
Por isso, a nossa vigilância é fundamental.
Há ainda uma novidade que torna tudo mais difícil para quem pretende controlar a narrativa: as redes sociais têm hoje um peso que não tinham em 2022.
A pesquisa sai e, cinco minutos depois, o eleitor já está comparando com outra. Questiona a metodologia. Recupera números antigos. Procura quem contratou o levantamento. Pergunta quem está por trás daquele instituto.
Que inconveniente! O eleitor resolveu pensar.
E isso muda muita coisa.
Esse fenômeno não acontece apenas no Brasil. Em diferentes partes do mundo, vemos um movimento de reação ao velho modelo de comunicação política, e a Direita tem ocupado um espaço cada vez maior.
Não é simplesmente uma questão de vontade pessoal de quem escreve este artigo.
É um movimento político que pode ser observado no Brasil, na Europa e em diferentes países das Américas.
A velha imprensa perdeu o monopólio da informação.
Um canal independente pode confrontar uma manchete de televisão.
Um cidadão pode comparar cinco pesquisas antes de terminar o café.
O brasileiro ficou mais desconfiado.
E isso, sinceramente, é saudável. Pesquisa não é eleição. Mas interfere. Não vota, mas pode influenciar.
Não conta votos — até porque, no Brasil, ninguém conta votos individualmente diante do eleitor — e não determina o vencedor. Quem determina o resultado é a votação.
A única pesquisa que não precisa explicar margem de erro, metodologia ou amostragem é aquela realizada no dia da eleição: a urna.
Em 2026, portanto, os institutos não estarão apenas pesquisando o eleitor.
Estarão sendo pesquisados pelo próprio eleitor.
E depois de 2022, convenhamos, eles têm mesmo motivos para andar com cuidado.





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