Alfredo Bessow

Alfredo Bessow é um jornalista, radialista, influenciador e analista político brasileiro com mais de 40 anos de experiência.

Reinventar o Brasil passa pelo desafio de desmontar cartéis

por | 07/08/2019 | 0 Comentários

Ainda que o presidente tenha aproveitado para destilar um pouco de sua justa ira contra a perseguição cotidiana da mídia, a verdade é que o Estado precisa sair do controle do Brasil

Interessante observar como, ao longo dos anos, foram sendo criadas armadilhas, verdadeiros caça niqueis e que sempre tiveram o condão principal de reforçar o poder dos carteis, das corporações e dos grupos econômicos que de uma forma ou de outra tiveram força e poder político para criar, manter e defender nichos de privilégios.

Eu pergunto se alguém, alguma vez, já leu aqueles extensos
balanços de empresas públicas publicados nos jornais – que, por exemplo aqui no
DF, acabavam sendo uma fonte de renda já colocada no orçamento de supostos
grandes veículos como entrada certa?

Não vejo isso como retaliação contra a imprensa, ainda que o
presidente Bolsonaro, que às vezes deveria engolir algumas dores, tenha dito
que a medida era uma retribuição pela perseguição cotidiana que é movida pela
chamada extrema-imprensa.

Na verdade, a medida se insere no contexto de uma visão
modernizadora do Brasil – na cruzada de liberar o Brasil do jugo opressor da
mão do Estado. A publicação dos balancetes em jornais era anti-ecológica, uma
vez que isso geralmente demandava várias páginas a mais na edição – o que implica
em toneladas de papel que, por sua vez, demandam o corte de milhares de
árvores.

Que fique claro: Bolsonaro não proibiu que as S/A publiquem
os balanços nos jornais impressos – ele apenas deu novas alternativas: As
publicações serão feitas nos sítios eletrônicos da Comissão de Valores
Mobiliários e da entidade administradora do mercado em que os valores
mobiliários da companhia estiverem admitidas à negociação e no Diário Oficial a
custo zero.

São celeumas que alguns consideram desnecessárias, mas que
são importantes para tirar do estado o papel de regulador, fiscal, pai-patrão que
a estrutura fascista herdada desde os tempos de Getúlio e potencializada pelos
governos proto-fascistas comandados em maior ou menos escala pela esquerda fisiológica,
corporativista e dentro da concepção de um presidencialismo de coalisão desde a
assumpção de Sarney à presidência e que teve seu ápice nos governos de Lula e
Dilma quando, roubar e atacar os cofres públicos deixou e ser crime e passou a
ser política de governo.

O mimimi parte exatamente de setores que sempre se
beneficiaram dessa dubiedade bem brasileira: socializar os prejuízos,
privatizar os lucros e extorquir de forma legal ou ilegal quem produz. Quando
digo extorquir de forma legal é pelos altos índices de tributação, taxação e
toda sorte de leis que servem como armadilhas para que agentes públicos passem
a extorquir ilegalmente quem produz – contraditoriamente valendo-se de
mecanismos legais.

É preciso tirar o Estado da vida das pessoas, diminuindo os
processos humanos e ampliando o uso da tecnologia e das novas ferramentas que
estão disponíveis.

Lutar pela manutenção de privilégios é natural da parte de
quem se acostumou a ter vantagens com eles. Lutar contra os privilégios é dever
de quem acredita que o Estado é caro e ineficiente demais para ser bancado pela
sociedade.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *