Estamos diante do desnudar de muitas irrealidades, narrativas que não se sustentam diante da verdade. ataca-se Nikolas por conta de um vídeo divulgado em 2025 como sendo responsável por crimes acontecidos entre 2020 e 2024. Este é o quadro de um Brasil onde o absurdo já faz parte da vida cotidiana das pessoas.
Confesso que a primeira vista a operação conjunta deflagrada pela Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público e policias estaduais, soa como algo positivo, algo realmente alvissareiro dentro de um cenário onde os propagadores das teorias da conspiração sempre alardearam que o crime organizado tinha se entranhado no tecido social e corrompido TODA a estrutura da sociedade – e, claro, também o Estado.
O que me preocupa é que ao focar apenas nas instituições financeiras e nos mecanismos até certo ponto simplistas usados para a lavagem de dinheiro, a operação está deixando de lado a real abrangência dos braços e tentáculos do crime organizado. E aqui eu falo da estratégia de financiar os estudos de alunos de cursos de Direito que, depois, fazem concursos para a magistratura, inserindo-se dentro de um poder onde podem ser considerados membros de uma célula adormecida, mas sempre com olhos bem atentos aos assuntos de interesse da corporação do crime.
Claro que eu saúdo a ação como importante, ainda que o governo esteja fazendo um circo, quando nada mais faz do que a obrigação. Mas existem muitos fios desencapados que estão sendo cuidadosamente escondidos, como, por exemplo, a questão dos honorários de advogados que são pagos pelo crime e sem necessidade de confirmação da origem dos recursos. E lhes digo que muitos profissionais do Direito acabam se envolvendo com clientes do crime organizado pela generosidade dos pagamentos. Segundo alguns, os valores não são discutidos – desde que o serviço contratado seja realizado. Exatamente como foi acordado.
Olhando toda a movimentação, percebe-se a blindagem oportuna de alguns segmentos – como por exemplo a mídia. Sim… a mídia sempre soube deste emaranhado, mas sistematicamente fez vistas grossas porque, muitas vezes, a sobrevivência de certos veículos e determinados profissionais da comunicação dependem de ajudas que chegam nos momentos de sufoco, principalmente na hora de pagar funcionários ou bancar a rodagem da edição.
Ao mirar numa variável midiática no sentido da repercussão junto da sociedade, uma vez que a sonegação dos envolvidos estaria na casa de R$ 7,6 bilhões, a operação deixou de mencionar que esta trama só foi possível por conta da própria omissão, para não dizer uma certa e assustadora conivência da própria Receita Federal, Banco Central, a Bolsa e a Comissão de Valores Mobiliários.
Por fim, me preocupa o discurso que o governo já arma para voltar com a necessidade de controlar e monitorar o PIX do cidadão e a defender o controle social do DREX como efetivos mecanismos para controlar o crime organizado.
Apenas balela. O governo usará esta operação não para coibir a ação do crime organizado, até por conta dos muitos fios desencapados que estão sendo deixados de lado, mas sim para ampliar a vigilância, o controle e a fiscalização da vida do cidadão.
0 comentários