Alfredo Bessow

Alfredo Bessow é um jornalista, radialista, influenciador e analista político brasileiro com mais de 40 anos de experiência.

A diversidade empodera a estupidez e torna o ser humano refém de guetos

por | 22/06/2020 | 0 Comentários

Ao longo das últimas décadas, a bandeira da diversidade passou a ser defendida pelos obscurantistas como forma de dissimular a própria incapacidade de conviver de modo harmônico em sociedade

Entre os muitos embates que vivemos nos dias de hoje, um
dos mais intensos é aquele que envolve signos, significados e significantes. Já
falei aqui que é uma das características da esquerda a questão da apropriação
cultural. Vocês acham que a opção do movimento LGBT em usar o arco íris como
símbolo é fruto do acaso? E esse é apenas um exemplo bem gritante, porque serve
para desmascarar toda a estratégia de destruição de valores, se apoderando do
sagrado e profanizando ele. Ao reinventar o sentido de um compromisso de Deus
com os homens, o movimento LGBT quer mostrar que pode, sim, tornar secular e
vulgar um momento único da relação de Deus com os homens.

Uso a questão do arco íris porque me parece a situação mais
extrema e deliberadamente selecionada para agredir, para carregar um estandarte
como forma de vulgarizá-lo de modo genérico e ridicularizar os cristãos de modo
peculiar e direto. Isso muito me preocupa, ainda que não seja uma questão
única, mas uma prática que se repete em outras questões que são muitas vezes
minimizadas até mesmo por ditos cristãos que passam batidos em ataques
orquestrados.

Tenho tentado desconstruir, nos últimos dias, a falácia de
que “diversidade” pode ser sinônimo e representar o mesmo universo de
pluralidade. Definitiva e mil vezes digo que não tem como colocar as duas
palavras dentro de um mesmo sentido e seguindo uma mesma compreensão.
Diversidade é reduzir as pessoas a grupos que atuam dentro de guetos, sem
interconexão com a realidade – cada vez mais rancorosos na defesa dos direitos
de ação, atuação e de intervenção destes guetos. Defender a diversidade é
assumir que somos diversos – como se houvesse, como preconizava Orwel na
Revolução dos bichos, porcos que seriam mais porcos que os demais porcos.

Este culto à diversidade para mim é a marca doentia da
forma como a esquerda tem necessidade de dividir e confrontar grupos sociais
dentro da sociedade. É o antagonismo de negros contra brancos, ricos contra
pobres, indígenas contra civilizadores, homens contra mulheres, ecologistas
contra produtores rurais, héteros contra homos e uma sucessão de antagonismos
bizarros que não podem nem ao menos ser classificados ou discutidos à luz do
sempre bem-vindo processo dialético.

Eu sei: falar de Kant para marxistas que nunca leram nada
de Marx é o mesmo que falar de Raymond Aron para quem apenas consegue odiar
Sartre igualmente sem lê-lo.

Para mim, o verdadeiro sentido da vida em sua dialética
está em entender e respeitar que a nossa vida deve ser pautada pela
pluralidade. Trata-se de algo muito simples, na medida em que alguém que
defende o direito ao plural, obrigatoriamente o faz por compreender que somos
divinamente iguais e que podemos ser humanamente diferentes.

Quando eu divido e estratifico as pessoas por suas
diversidades, eu impeço que elas interajam em suas peculiaridades – que é uma
característica da pluralidade. Numa imagem de campo, a diversidade lembra
apenas brete ou os trens levando judeus aos campos de concentração, enquanto
que a pluralidade é o campo largo, a liberdade – onde o conceito de todos não
parte da divisão do nós contra eles. Nos cercadinhos da diversidade, cada tribo
inventa uma realidade peculiar, enquanto que na pluralidade todos coabitam o
mesmo espaço, sem a necessidade de eliminar a possibilidade de convivermos,
construindo harmonias, a despeito de nossas diferenças.

Para simplificar: a
diversidade empodera a estupidez, enquanto que a pluralidade constrói a harmonia
a partir das saudáveis diferenças.

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